11 fevereiro, 2012

Eu sei que é você e eu sei quem você é.

Cedo demais para dizer, mas hoje, depois daquilo, comecei a me sentir diferente. Ainda não tinha levantado, então fui até o banheiro, lavei o rosto. Paralisei diante do espelho. Uma revisão nas axilas e um gargarejo ensaiado das coisas que precisava falar a pessoas com quem não desejava estar.
Ontem eu ri, senti tesão e também que a vida pode ser maravilhosa noite sim, noite talvez. Hoje "de manhã" me senti presa em círculos sociais viciosos. Nem um pouco a fim de conversar, dar opiniões, perguntar horas, gestos óbvios.

Eu só queria mesmo que você dissesse, só hoje, que ligaria mais tarde, pra dizer que vai ficar tudo bem e a gente vai se ver depois ou amanhã. Em intervalos, me procurar nas redes sociais, na esperança de me encontrar dizendo que preciso sim e urgentemente de você. Peguei um café (sim!) e tentei não roer as unhas, enquanto com um cigarro, fiquei planejando os riscos do que já acordou pra dar errado. Me senti um pouco sozinha.

Tive vontade de te ligar e pedir pra você voltar pra mim. Pra você sentar no sofá com os braços cruzados, sem falar nada muito diferente ou contar sobre sua vida. Vontade de dizer "ficaqui". Pode ser com cara de brabo. Só ficaqui, sem pensar em nada, em ninguém, sem lembrar da sua infância na praia. Ficaqui, e me pede qualquer coisa: água, uma caminhada, mais uma gelatina, um strip-tease, em casamento. Não dê conselhos. Não tenha recordações. Não queira ir em festas. Não pergunte as horas. Não lembre da sua afilhada. Não ligue para a sua mãe. Não ame mais ninguém.
Ficaqui, só ficaqui, porque apesar da tua cara de brabo, você é tão fácil, tão leve, tão solto, tão tudo que eu sempre quis quando me pega pelos quadris, mastiga todo meu corpo e cospe fora somente minhas carências e toxinas.

Não quero usar aquelas frases feitas e dizer que "o que tiver que ser, será". Mas se tem uma coisa que não desejo de jeito algum é que um determinado dia você demore um pouco e enrole antes de dizer, que cansou de tudo, do meu sofá, do meu filé de frango, do meu sofrimento e diga que já vai indo, alimentando meu asco por últimos olhares em portas de ônibus.
Então fico pensando no que mais posso te oferecer pra você ficar aqui. Procuro um jeito de te manter descontraído, morrendo de pânico que você só esteja distraído, misturando ausência com curiosidade.

Parece exagero, mas é que você, poxa vida, só você conseguiu pular o muro de dificuldades que levantei em volta de mim quando as palavras dor, saudade, ausência, falta e despedida fizeram de mim uma menina de lata. Você, que me dizia que gostava da minha voz só depois das 2hrs da madrugada, que me dizia pra não mascarar a voz contigo.
Você e seus cabelos escuros, seu abraço com cheiro de confiança e seus sorrisos nada comerciais.

(escrito em 10 de fevereiro de 2012, para Paulo)

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