(Para Paulo)
Querendo escrever sobre desejo, só consigo sentí-lo. Querendo escrever sobre amor, temo só fazê-lo perder a beleza que está justamente no recato de recusar-me a desnudá-lo com palavras. Por isso, talvez, queira apenas tua presença perto da minha, pois não há nada que mereça conhecimento além do nosso.
Você: bem mais que meu tênis da sorte.
Nossa casa é algo estranho de dizer, ainda? Compreendo agora que o que me faz desejar este instante pra sempre, que dure, dure, dure, é que nunca, talvez nunca tenha feito qualquer efeito tanto desejo, dor, sofrimento, paixão, quando encaro a doçura da tua mão na minha, e teu beijo delicado, meus olhos, minha boca, é preciso fazer silêncio porque o sol nasce onde menos espero, dentro por vezes e eu te amo como quem enfim desperta, como quem enfim acorda depois de um sono ou uma morte ou qualquer coisa assim trevosa. Teu amor, nosso amor é dia claro.
Talvez esteja no cheiro, talvez esteja no gosto, no suor ou no gostar de perder-se assim, devagar, dentro do outro. Talvez no jeito de olhar dentro e sorrir para outro sorriso que entenda o encontro. Eu ainda não sei o que dizer, queria te escrever qualquer coisa assim que ficasse suspensa, no ar, como um momento de iluminação ou êxtase, não sei, alguma palavra, gesto, grafitar o asfalto da tua rua com SIMs em vermelho ou azul ou qualquer outra cor (talvez fluorescente), encher teu quarto de girassóis imensos. Alguma loucura doce, alguma coisa desmedida e boba que te fizesse feliz. Meu bem, qual a cor do amor quando assim, tão certo?
Gosto do cheiro da curva do seu pescoço, gosto de dividir seu rosto em pedaços e não saber qual é meu preferido. Tenho saudades de tanto, meu tempo é esse correr louco atrás de sonhos que me parecem muito urgentes. Recebo mensagens no celular tarde da noite: certeza que a falta não é só sentida por esse dramático coração que carrego.
Não escrevo mais tangos e tragédias, guardo no meu bloco, palavras-pluma e outras calmarias. Suspeito que não estava preparada para a revelação que agora tenho quando encosto minha cabeça no teu peito ou espero ver teu rosto na porta no final de todas as noites: a vida é doce quando bebida da tua boca.
Alguma coisa em você é tão tranquila e certa de si mesma, alguma coisa em você me pacifica, faz com que eu feche todas as portas e escancare as janelas para o novo que não faço ideia. Eu sonho agora entre os minutos que você faz o seu dia e faço planos, como quem desaprendeu a se encolher quando toca as cicatrizes.
Tento tanto escrever sobre você, sobre nós. E nunca consigo. Pergunto uma, duas, dez, cem vezes o motivo disso e sempre falho em descobrir. Não conseguir é conseqüência de algo. Mas de quê? Talvez não queria permitir que tudo relacionado a nós, tão sagrado pra mim, seja tocado pelo meu já não tão considerado importante dom da palavra. Estilismos, forças de expressão, clichês e mais clichês coerentemente alinhados marchando de dois a dois. O valor do seu toque, do seu beijo, da sua pele tão branca e suave, da sua dor. Tudo isso é imediato demais, importante demais, sagrado demais para caber em um conjunto de símbolos que NUNCA irão demonstrar plenamente a intensidade.
ResponderExcluirMas você não falha. Seu grande dom é esse. Suas palavras demonstram na medida exata tudo de lindo que a gente viveu e ainda vai viver. Toda a beleza que foi e é o nosso encontro, a forma que tudo se organizou e aconteceu afim de unir nós dois. Eu não acredito em deus, mas se ele existe talvez não exista prova mais linda do que você. Suas coincidências, suas metáforas, suas alegrias e tristezas, sua vida, quem você é. Tudo isso se encaixa tão perfeitamente na minha vida que é quase inacreditável que aqueles poucos minutos num lugar onde anônimos conversam em uma língua que não nos é intima, tenham sido intensos o suficiente para que tenhamos percebido que tinha algo familiar e verdadeiro no “stranger” do outro lado e desejado conhecer mais.
Isso tudo mexe demais comigo, porque não acredito nas palavras mas acredito no valor da história. Ela é a base de tudo mesmo que não seja contada. Só basta ser testemunhada. Tudo que está por trás, tudo que fica nas entrelinhas, tudo que é subliminar e que a gente ainda nem percebeu e que talvez nunca perceba talvez seja o que há de mais importante no nosso amor. Por isso pra que desvendá-lo com as palavras? Nosso silêncio, nossos sorrisos, tudo que é dito através dos olhares e viradas sutis dizem tão mais que elas.
“Nossa casa” nunca vai ser estranho de dizer. Como poderia? Ela já existia antes mesmo de nos encontrarmos. Faltava apenas acontecer. Ainda falta acontecer. Mas é tão intima, tão certeira quanto o futuro repleto de alegrias e claro, algumas inevitáveis quedas, que virão pela frente e venceremos de peito aberto. E eu sonho com isso. Todos os dias. Porque é você. Você é a razão. Te amo. Pra sempre. E danem-se os clichês. Fuck them.